| Foto: Google |
Lembro muito bem de que, em 2014, eu estava
no gabinete de um deputado estadual, na Assembleia Legislativa do Pará (ALEPA) quando
uma servidora entrou na sala e disse à chefe de gabinete: “A família do
fulano quer que a gente o mande para o Hospital Galileu”. A chefe de
gabinete respondeu imediatamente: “Nem penar!” As vagas do Galileu estão
reservadas para a base de apoio do deputado em Nova Timboteua, Castanhal,
Curuçá e Viseu. Quem destina essas vagas são os vereadores dessas bases! O
deputado não pode nem sonhar que colocamos pacientes comuns nas vagas que são
de indicação exclusiva dos vereadores aliados nesses municípios. Após
presenciar e ouvir essa conversa, parei de acreditar em central de regulação...
Tal situação escancara a profunda crise
estrutural e ética que corrói o Sistema público de saúde no Pará. A
transformação do acesso a leitos hospitalares (um direito fundamental) em moeda
de troca política viola frontalmente a Constituição Federal e a Lei nº
8.080/1990 – Lei Orgânica da Saúde.
Em suma: A saúde pública no Pará carece não
apenas de investimentos financeiros e ampliação de leitos, mas de uma rigorosa fiscalização
interna e externa. O uso de leitos hospitalares públicos como capitanias
hereditárias de políticos é uma prática nefasta que mata diariamente e precisa
ser combatida com o rigor do Ministério Público e dos órgãos de controle. O
cidadão paraense não pode continuar pagando com a própria vida o preço da
corrupção e do fisiologismo político.
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