sábado, 17 de outubro de 2026

A SAÚDE COMO MOEDA DE TROCA NO ESTADO DO PARÁ

 

Foto: Google

A cena já virou rotina: basta abrir os grupos de WhatsApp para se deparar com o clamor de famílias em busca de um leito hospitalar. São relatos desesperados de pacientes retidos nas UPA’S dos municípios do Pará, aguardando uma transferência para hospitais de referência.

Lembro muito bem de que, em 2014, eu estava no gabinete de um deputado estadual, na Assembleia Legislativa do Pará (ALEPA) quando uma servidora entrou na sala e disse à chefe de gabinete: “A família do fulano quer que a gente o mande para o Hospital Galileu”. A chefe de gabinete respondeu imediatamente: “Nem penar!” As vagas do Galileu estão reservadas para a base de apoio do deputado em Nova Timboteua, Castanhal, Curuçá e Viseu. Quem destina essas vagas são os vereadores dessas bases! O deputado não pode nem sonhar que colocamos pacientes comuns nas vagas que são de indicação exclusiva dos vereadores aliados nesses municípios. Após presenciar e ouvir essa conversa, parei de acreditar em central de regulação...

Tal situação escancara a profunda crise estrutural e ética que corrói o Sistema público de saúde no Pará. A transformação do acesso a leitos hospitalares (um direito fundamental) em moeda de troca política viola frontalmente a Constituição Federal e a Lei nº 8.080/1990 – Lei Orgânica da Saúde.

Em suma: A saúde pública no Pará carece não apenas de investimentos financeiros e ampliação de leitos, mas de uma rigorosa fiscalização interna e externa. O uso de leitos hospitalares públicos como capitanias hereditárias de políticos é uma prática nefasta que mata diariamente e precisa ser combatida com o rigor do Ministério Público e dos órgãos de controle. O cidadão paraense não pode continuar pagando com a própria vida o preço da corrupção e do fisiologismo político.

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