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Embora resoluções do Conselho Federal de
Medicina (CFM) estabeleçam que o paciente deve ser transferido ou receber alta
em até 24 horas, o que se vê nos corredores das UPA’S são pacientes enfileirados
em macas e muitas vezes jogados no chão contaminado, a espera de um leito.
A INTERVENÇÃO POLÍTICA: DO DIREITO AO
PRIVILÉGIO
O ponto mais crítico dessa dinâmica é a
chamada “judicialização da política” ou o FURA FILA MEDIADO. Quando
vereadores ou deputados intervêm para liberar leitos, ocorre uma ruptura nos
princípios de equidade e universalidade do SUS. Na prática, tal ação dos parlamentares
não passa de correia de transmissão política para se reeleger, tendo em vista
que tanto o paciente como seus familiares e amigos tendem a retribuir o apoio
dado...
Lembro perfeitamente que em 2013 estava
eu na ALEPA, no gabinete de um deputado estadual, atualmente secretário de
estado, quando uma assessora falou para a chefe de gabinete: “o fulano que ir
para o hospital Galileu”, ao que a mesma respondeu: negativo, as vagas do
Galileu são dos vereadores de Bragança, Castanhal e Nova Timboteua, ou seja, as
vagas em hospitais, possuem nome e mandato eleitoral...
A situação acima não deveria jamais
ocorrer, o sistema de regulação deveria ser pautado pela gravidade clínica
(classificação de risco). A interferência de parlamentares subverte essa ordem,
privilegiando quem possui acesso a canais políticos em detrimento de casos
potencialmente mais urgentes.
O FURA FILA COMO MODELO ELEITORAL:
Essa prática, muitas vezes apresentada
como AJUDA HUMANITÁRIA, pelo parlamentar, é uma engrenagem do clientelismo que
mantem a população dependente de favores em vez de direitos.
O IMPACTO DA GESTÃO E DO JUDICIÁRIO:
A falha na regulação de leitos empurra o
cidadão para duas vias: a buscar por políticos ou a judicialização da saúde,
que consome bilhões de Reais do orçamento público e, embora garanta o direito
individual, desorganiza o planejamento coletivo do Estado.
CONCLUSÃO: a dependência de intervenções
parlamentares para a obtenção de leitos é o sintoma de um sistema em colapso
moral e estrutural. A saída óbvia para o SUS recuperar sua função social,
amplamente dominada por ações político partidárias, cujo objetivo é a
manutenção do poder, é investir em mais leitos e hospitais de retaguarda, bem
como blindar o sistema de regulação de leitos, evitando a interferência de
parlamentares, que pouco estão se importando com a saúde pública, mas tão
somente em perpetuar-se no poder através da exploração da desgraça dos
eleitores

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