quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

ENTRE O CAOS DA UPA E A LIBERAÇÃO DE LEITOS INTERMEDIADOS POR POLÍTICOS

 


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As Unidades de Pronto Atendimento (UPA), teoricamente criadas para atendimento de urgência de até 24 horas, tornaram-se, na prática, “hospitais de retaguarda” improvisados. Não raro, pacientes aguardam dias, semanas e até meses por um leito em hospitais de referência, muitas vezes obtidas somente após a intervenção de vereadores ou deputados, caracterizando uma grave distorção institucional, ou seja, a substituição do critério técnico pela influência política.

Embora resoluções do Conselho Federal de Medicina (CFM) estabeleçam que o paciente deve ser transferido ou receber alta em até 24 horas, o que se vê nos corredores das UPA’S são pacientes enfileirados em macas e muitas vezes jogados no chão contaminado, a espera de um leito.

A INTERVENÇÃO POLÍTICA: DO DIREITO AO PRIVILÉGIO

O ponto mais crítico dessa dinâmica é a chamada “judicialização da política” ou o FURA FILA MEDIADO. Quando vereadores ou deputados intervêm para liberar leitos, ocorre uma ruptura nos princípios de equidade e universalidade do SUS. Na prática, tal ação dos parlamentares não passa de correia de transmissão política para se reeleger, tendo em vista que tanto o paciente como seus familiares e amigos tendem a retribuir o apoio dado...

Lembro perfeitamente que em 2013 estava eu na ALEPA, no gabinete de um deputado estadual, atualmente secretário de estado, quando uma assessora falou para a chefe de gabinete: “o fulano que ir para o hospital Galileu”, ao que a mesma respondeu: negativo, as vagas do Galileu são dos vereadores de Bragança, Castanhal e Nova Timboteua, ou seja, as vagas em hospitais, possuem nome e mandato eleitoral...

A situação acima não deveria jamais ocorrer, o sistema de regulação deveria ser pautado pela gravidade clínica (classificação de risco). A interferência de parlamentares subverte essa ordem, privilegiando quem possui acesso a canais políticos em detrimento de casos potencialmente mais urgentes.

O FURA FILA COMO MODELO ELEITORAL:

Essa prática, muitas vezes apresentada como AJUDA HUMANITÁRIA, pelo parlamentar, é uma engrenagem do clientelismo que mantem a população dependente de favores em vez de direitos.

O IMPACTO DA GESTÃO E DO JUDICIÁRIO:

A falha na regulação de leitos empurra o cidadão para duas vias: a buscar por políticos ou a judicialização da saúde, que consome bilhões de Reais do orçamento público e, embora garanta o direito individual, desorganiza o planejamento coletivo do Estado.

CONCLUSÃO: a dependência de intervenções parlamentares para a obtenção de leitos é o sintoma de um sistema em colapso moral e estrutural. A saída óbvia para o SUS recuperar sua função social, amplamente dominada por ações político partidárias, cujo objetivo é a manutenção do poder, é investir em mais leitos e hospitais de retaguarda, bem como blindar o sistema de regulação de leitos, evitando a interferência de parlamentares, que pouco estão se importando com a saúde pública, mas tão somente em perpetuar-se no poder através da exploração da desgraça dos eleitores

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