A tendência de votar em membros da mesma
família em todas as eleições origina-se no período colonial e imperial,
consolidando-se na República Velha através do Coronelismo. Nessas estruturas,
grandes proprietários de terras exerciam controle social e político sobre a
população local, TROCANDO FAVORES E PROTEÇÃO, POR VOTOS – O CHAMADO VOTO DE
CABRESTO.
Obs.: Na atualidade os favores trocados
por votos são: liberação de lotes/terrenos públicos para os aliados, exclusão
de multas e infrações de trânsito, liberação de casas populares para aliados de peso distribuírem aos seus comandados, em detrimento daqueles que realmente precisam, jogos de camisas de futebol, liberação de ônibus para passeios, desburocratização de serviços públicos aos aliados, favorecimento em licitações, dentre vários outros...
Mesmo com a modernização do sistema
eleitoral, essa prática evoluiu para o clientelismo contemporâneo. Em muitos
municípios, clãs políticos utilizam a máquina pública, empregos e recursos,
para reforçar o nome da família, tornando o sobrenome uma “MARCA” que substitui
a ideologia partidária no imaginário de parcela significativa dos eleitores.
A FAMÍLIA COMO INSTITUIÇÃO POLÍTICA
Para muitos eleitores, a escolha por um
herdeiro político baseia-se em:
1)Tradição
e Familiaridade: O
sobrenome funciona como um selo de garantia de acesso ao poder ou de
continuidade de projetos locais;
2)Controle
de Recursos: As famílias
costumam dominar os canais de financiamento, redes de contato e cabos
eleitorais, dificultando a entrada de novos atores sem vínculos tradicionais;
3)Ausência
de partidos Fortes: Na
esfera municipal e estadual, o partido é muitas vezes apenas um veículo formal;
o verdadeiro filtro para o eleitor é o grupo familiar dominante;
OS IMPACTOS NA DEMOCRACIA
A predominância desses grupos em cargos
de prefeito, deputados estadual/federal e senador gera, consequentemente, consequências
significativas, tais como:
1)Redução
de renovação: A
política torna-se uma herança, limitando a pluralidade de ideias e a
representação de novos grupos sociais, como mulheres e minorias sem berço
político;
2)Confusão
entre público e privado:
A gestão pública é frequentemente tratada como “PATRIMÔNIO DA FAMÍLIA”,
favorecendo o NEPOTISMO e a manutenção do status quo;
3)Hegemonia
regional: Em diversos
estados, o controle dos poderes Executivo e Legislativo por uma única família
cria um sistema de contrapesos enfraquecido, onde o Legislativo serve aos
interesses do clã dominante; que geralmente encontra-se no comando do Poder
Executivo
Conclusão: o voto em
dinastias familiares revela uma população que, por necessidade, tradição ou
falta de alternativas viáveis, ainda vê na estrutura de parentesco a forma mais
direta de representação política, desafiando o ideal de uma meritocracia
democrática plural.

Nenhum comentário:
Postar um comentário