quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

DINASTIAS POLÍTICAS OU CLÃS FAMILIARES/VOTO DE CABRESTO NO BRASIL

 


Caminhamos a passos largos em direção a mais uma eleição geral em 2026, dando sequência a perpetuação de famílias no poder, fenômeno conhecido como “dinastias políticas” ou clãs familiares, é uma característica histórica e enraizada na democracia brasileira. Tal comportamento eleitoral, que abrange desde as prefeituras até o Senado federal, reflete raízes profundas no coronelismo e na estrutura social do país.

A tendência de votar em membros da mesma família em todas as eleições origina-se no período colonial e imperial, consolidando-se na República Velha através do Coronelismo. Nessas estruturas, grandes proprietários de terras exerciam controle social e político sobre a população local, TROCANDO FAVORES E PROTEÇÃO, POR VOTOS – O CHAMADO VOTO DE CABRESTO.

Obs.: Na atualidade os favores trocados por votos são: liberação de lotes/terrenos públicos para os aliados, exclusão de multas e infrações de trânsito, liberação de casas populares para aliados de peso distribuírem aos seus comandados, em detrimento daqueles que realmente precisam, jogos de camisas de futebol, liberação de ônibus para passeios, desburocratização de serviços públicos aos aliados, favorecimento em licitações, dentre vários outros...

Mesmo com a modernização do sistema eleitoral, essa prática evoluiu para o clientelismo contemporâneo. Em muitos municípios, clãs políticos utilizam a máquina pública, empregos e recursos, para reforçar o nome da família, tornando o sobrenome uma “MARCA” que substitui a ideologia partidária no imaginário de parcela significativa dos eleitores.

A FAMÍLIA COMO INSTITUIÇÃO POLÍTICA

Para muitos eleitores, a escolha por um herdeiro político baseia-se em:

1)Tradição e Familiaridade: O sobrenome funciona como um selo de garantia de acesso ao poder ou de continuidade de projetos locais;

2)Controle de Recursos: As famílias costumam dominar os canais de financiamento, redes de contato e cabos eleitorais, dificultando a entrada de novos atores sem vínculos tradicionais;

3)Ausência de partidos Fortes: Na esfera municipal e estadual, o partido é muitas vezes apenas um veículo formal; o verdadeiro filtro para o eleitor é o grupo familiar dominante;

OS IMPACTOS NA DEMOCRACIA

A predominância desses grupos em cargos de prefeito, deputados estadual/federal e senador gera, consequentemente, consequências significativas, tais como:

1)Redução de renovação: A política torna-se uma herança, limitando a pluralidade de ideias e a representação de novos grupos sociais, como mulheres e minorias sem berço político;

2)Confusão entre público e privado: A gestão pública é frequentemente tratada como “PATRIMÔNIO DA FAMÍLIA”, favorecendo o NEPOTISMO e a manutenção do status quo;

3)Hegemonia regional: Em diversos estados, o controle dos poderes Executivo e Legislativo por uma única família cria um sistema de contrapesos enfraquecido, onde o Legislativo serve aos interesses do clã dominante; que geralmente encontra-se no comando do Poder Executivo

Conclusão: o voto em dinastias familiares revela uma população que, por necessidade, tradição ou falta de alternativas viáveis, ainda vê na estrutura de parentesco a forma mais direta de representação política, desafiando o ideal de uma meritocracia democrática plural.

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