BELÉM, ANANINDEUA e BARCARENA —
Impacto
na Saúde e Ofensa à Dignidade Humana
Relatos
de consumidores apontam que o serviço tem sido prestado com a pressão de água severamente reduzida. Em várias localidades, o fluxo de água só é
restabelecido por volta de 1h da manhã, interrompendo-se completamente antes
das 9h.
Essa
restrição temporal tem obrigado os cidadãos a sacrificarem suas horas de
descanso noturno para armazenar água em baldes e galões. Sob a ótica
jurídica, a situação configura uma violação crônica do princípio constitucional
da dignidade da pessoa humana e do direito fundamental à saúde, uma vez que a
privação do sono e o acesso precário ao saneamento básico comprometem
diretamente a qualidade de vida da população.
Reflexos
Econômicos no Setor do Açaí
A
escassez também atinge o coração da economia e da cultura paraense: a produção
de açaí. Sem água potável nas torneiras para a higienização e o processamento
do fruto, batedores locais estão recorrendo à compra de água mineral para
manter as atividades comerciais.
O
acréscimo inesperado no custo de produção tem inflacionado o preço final
repassado ao consumidor. Especialistas em direito do consumidor alertam que a
falha na prestação do serviço público essencial gera um efeito cascata que
penaliza tanto o microempreendedor, que perde competitividade, quanto o cidadão
vulnerável na ponta do consumo.
Desgaste
Político e Promessas Abandonadas Pós-Eleição
Para
além do problema estrutural, a crise ganha contornos de forte desgaste político
e revolta popular. Durante o recente período eleitoral, a atual governadora Hana
Ghassan utilizou a regularização do sistema de águas como uma de suas
principais bandeiras de campanha para angariar votos na região.
Contudo,
após a confirmação de sua derrota nas urnas para o Dr. Daniel, a postura
adotada pela chefe do Executivo estadual passou a ser alvo de severas críticas
por parte da população e de analistas políticos. Moradores acusam a gestão de
inércia absoluta e indiferença diante do sofrimento público. O sentimento
generalizado nas comunidades de Belém, Ananindeua e Barcarena é de que as promessas foram
sumariamente abandonadas assim que se encerraram os interesses eleitorais,
restando um cenário de abandono administrativo enquanto o governo atual caminha
para o fim de seu ciclo e a Concessionária ÁGUAS DO PARÁ/AEGEA continua prujudicadno a população.
Justificativas
da Concessionária ÁGUAS DO PARÁ e a Polêmica do "Ar na Tubulação"
Procurada
pelos usuários e pela imprensa, a concessionária ÁGUAS DO PARÁ tem atribuído as constantes interrupções à existência de
vazamentos na rede de distribuição. No entanto, a explicação não tem sido
suficiente para mitigar a insatisfação popular, especialmente diante de uma
anomalia técnica relatada frequentemente pelos consumidores.
De
acordo com os moradores, o período prolongado em que as tubulações permanecem
vazias resulta no acúmulo de ar no interior dos canos. No momento em que o
fluxo é restabelecido, a pressão do ar faz com que os hidrômetros girem em
velocidade atípica e acelerada. O fenômeno resulta em um aumento artificial e
desproporcional nas faturas mensais, ou seja, os consumidores pagam por água e recebem ar...
O
Que Diz a Legislação
Do
ponto de vista legal, o Código de Defesa do Consumidor (CDC), em seu artigo 22,
é taxativo ao determinar que os órgãos públicos ou suas empresas
concessionárias são obrigados a fornecer serviços adequados, eficientes,
seguros e, quanto aos essenciais, contínuos. A interrupção injustificada por
mais de um semestre descaracteriza a continuidade exigida por lei.
Ademais,
a cobrança pelo volume de ar que passa pelo medidor como se fosse água
caracteriza enriquecimento ilícito por parte da prestadora e cobrança indevida,
abrindo precedentes para que os consumidores pleiteiem a revisão das contas e a
restituição em dobro dos valores pagos em excesso, conforme prevê o parágrafo
único do artigo 42 do CDC.
A população agora aguarda providências e uma postura firme dos órgãos de fiscalização e do Ministério Público para que o fornecimento seja enfim regularizado e os critérios de medição de consumo passem por uma auditoria rigorosa.
NOTA: EM BARCARENA a situação não é diferente, pois a AEGEA é quem está no comando do (DES) abastecimento de água...

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