sexta-feira, 1 de maio de 2026

O ABSOLUTISMO MODERNO E O SILÊNCIO DAS URNAS

 

Foto Google

O cenário político atual reflete um fenômeno que ganha corpo para as eleições gerais de 2026: O ABSOLUTISMO CONSCIENTE. Para muitos eleitores, a urna deixou de representar um instrumento de mudança para se tornar um símbolo de conformismo diante de uma estrutura que reproduz o absolutismo em pleno regime democrático. A desilusão dos eleitores não é fruto da falta de interesse ou motivação, mas de uma análise crítica sobre a concentração de poder nos governos estaduais e municipais e a submissão das respectivas casas Legislativas.

O argumento central dessa descrença reside na percepção de que a separação dos poderes tornou-se meramente formal. No plano estadual e municipal, observa-se frequentemente uma simbiose onde as Assembleias Legislativas e as Câmaras municipais atuam como extensões do poder executivo, em vez de órgãos fiscalizadores. Para os eleitores, que presenciam e vivem o peso das decisões governamentais em suas vidas, tornando-as cada vez mais difícil, essa hegemonia política anula o debate plural e transforma a gestão pública em um exercício de vontade unilateral, típico de estados absolutistas modernos.

Além disso, a sensação de “VOTO NULO POR FALTA DE OPÇÃO” é alimentada pela reprodução de dinâmicas de poder que priorizam a manutenção de grupos políticos em detrimento de demandas sociais básicas. Quando os eleitores percebem que, independentemente da sigla partidária, a estrutura de comando permanece centralizadora e avessa ao controle social, a escolha por não ter um candidato em 2026 surge como um protesto silencioso. É o reconhecimento de que o sistema eleitoral, da forma como está posto, muitas vezes apenas referenda um PODER QUE JÁ SE ESTABELECEU DE FORMA ABSOLUTA ANTES MESMO DA PRIMEIRA URNA SER ABERTA.

Em suma, a desilusão dos eleitores é um sintoma do processo de enfraquecimento lento e gradual das instituições, normas e liberdades que sustentam uma democracia, ou seja, a erosão democrática. Enquanto o poder Legislativo não recuperar sua independência e os governos não abrirem mão do controle total das instituições, os eleitores conscientes continuarão a ver no isolamento político a única resposta ética possível. A AUSÊNCIA DE UM CANDIDATO FAVORITO NÃO É UM VAZIO DE OPINIÃO, MAS UM CLAMOR POR UMA DEMOCRACIA QUE, DE FATO, LIMITE O PODER EM VEZ DE CONCENTRÁ-LO.

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