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O argumento central dessa descrença
reside na percepção de que a separação dos poderes tornou-se meramente formal.
No plano estadual e municipal, observa-se frequentemente uma simbiose onde as
Assembleias Legislativas e as Câmaras municipais atuam como extensões do poder
executivo, em vez de órgãos fiscalizadores. Para os eleitores, que presenciam e
vivem o peso das decisões governamentais em suas vidas, tornando-as cada vez
mais difícil, essa hegemonia política anula o debate plural e transforma a gestão
pública em um exercício de vontade unilateral, típico de estados absolutistas
modernos.
Além disso, a sensação de “VOTO NULO POR
FALTA DE OPÇÃO” é alimentada pela reprodução de dinâmicas de poder que priorizam
a manutenção de grupos políticos em detrimento de demandas sociais básicas. Quando
os eleitores percebem que, independentemente da sigla partidária, a estrutura
de comando permanece centralizadora e avessa ao controle social, a escolha por
não ter um candidato em 2026 surge como um protesto silencioso. É o
reconhecimento de que o sistema eleitoral, da forma como está posto, muitas
vezes apenas referenda um PODER QUE JÁ SE ESTABELECEU DE FORMA ABSOLUTA
ANTES MESMO DA PRIMEIRA URNA SER ABERTA.
Em suma, a desilusão dos eleitores é um
sintoma do processo de enfraquecimento lento e gradual das instituições, normas
e liberdades que sustentam uma democracia, ou seja, a erosão democrática.
Enquanto o poder Legislativo não recuperar sua independência e os governos não
abrirem mão do controle total das instituições, os eleitores conscientes
continuarão a ver no isolamento político a única resposta ética possível. A AUSÊNCIA
DE UM CANDIDATO FAVORITO NÃO É UM VAZIO DE OPINIÃO, MAS UM CLAMOR POR UMA DEMOCRACIA
QUE, DE FATO, LIMITE O PODER EM VEZ DE CONCENTRÁ-LO.

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