Durante o período
de campanha, o candidato ao cargo majoritário municipal se cerca de quem realmente tem força popular:
líderes comunitários, sindicalistas, presidentes de associações esportivas,
presidentes de centros comunitários, presidentes de clubes e genuínos
formadores de opinião.
Essas pessoas,
movidas pela esperança de mudança e pela promessa implícita (ou explícita) de
compor a futura gestão, colocam o bloco na rua. São elas que conhecem o eleitor
pelo nome, que defendem o candidato nos momentos de crise e que gastam o latim –
e a sola do sapato – para conseguir votos. Elas possuem o que nenhum
marqueteiro consegue comprar: capacidade de interlocução com a sociedade.
Porém, o dia
seguinte à posse revela uma realidade amarga. Assim que as urnas são apuradas,
o “blindado” gabinete do prefeito eleito sofre uma metamorfose jurídica e
corporativa.
A DANÇA DOS
CARGOS: O SUMIÇO DOS MILITANTES E A ASCENSÃO DOS INVISÍVEIS
O que se vê na
distribuição de cargos de confiança (os chamados DAS ou secretarias) é um
verdadeiro balde de água fria em quem suou a camisa na campanha:
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Os técnicos de gabinete: Cargos
estratégicos passam a ser ocupados por pessoas que sequer saíram às ruas atrás
de um único voto.
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O “QI” (Quem indiquei) CORPORATIVO: Vagas
de assessoria passam a ser distribuídas para filhos de gerentes de empresas,
parentes de grandes empresários ou apadrinhados políticos que nunca dialogaram
com uma comunidade e sequer conseguiram um único voto.
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O isolamento do gestor: Aquelas
lideranças que antes tinham o WhatsApp direto do candidato agora encontram uma
barreira intransponível de secretários, chefes de gabinetes, vereadores e
agendas permanentemente lotadas.
BANCOS E
EMPRESAS NA FRENTE DO POVO:
A explicação
para esse fenômeno não está na falta de gratidão pessoal, mas sim na lógica do
poder institucionalizado. O candidato se elege com o voto do povo e o suor
das lideranças, mas opta por governar de braços dados com pessoas
jurídicas como, por exemplo, bancos, cooperativas de crédito e grandes
empresas.
Para o gestor
público, o apoio do poder econômico garante governabilidade, atração de
investimentos oficiais e facilidades burocráticas. Em contrapartida, as
demandas das lideranças comunitárias – que geralmente envolvem serviços
públicos na ponta, assistência social e diálogo constante – passam a ser vistas
como “custo político” ou “pressão dos apoiadores para obtenção de vantagens
pessoais.
O PREÇO DO
ESQUECIMENTO:
Essa dinâmica cria
um abismo perigoso entre a prefeitura e a realidade das ruas. Ao preterir
quem tem sensibilidade social e capacidade de interlocução para colocar nos
cargos pessoas sem qualquer vivência comunitária, o prefeito eleito começa a
errar no básico: A COMUNICAÇÃO COM O CIDADÃO COMUM.
O resultado de
governar prioritariamente para o CNPJ e esquecer o CPF de quem o ajudou a
chegar ao poder costuma aparecer quatro anos depois. Afinal, bancos, empresa e
cooperativas de credito não têm o título de eleitor. quem vota, cobra e decide
o futuro da cidade continua sendo o cidadão da rua.
Um comentário:
Exatamente assim meu nobre!
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