Quando mais da metade dos deputados se
alinha de forma irrestrita ao Executivo, a principal função do Poder
Legislativo – A FISCALIZAÇÃO - acaba fatalmente comprometida, conforme abaixo
demonstrado.
I – O ENFRAQUECIMENTO DO SISTEMA DE
PESOS E CONTRAPESOS:
A democracia funciona na base do
equilíbrio. Se a ALEPA, através dos deputados eleitos pelo povo, se torna uma
extensão do gabinete do governador Helder Barbalho, o papel de “VIGILANTE” do
dinheiro público desaparece. Projetos de leis, pedidos de empréstimos vultosos
e contratos públicos passam pelo crivo dos deputados sem o devido debate crítico.
Para o povo, isso significa que decisões que impactarão gerações são tomadas em
regime de urgência, muitas vezes atendendo as conveniências políticas imediatas
em vez de critérios técnicos rigorosos.
II – A PAUTA DA SOCIEDADE (x) A PAUTA DO
GOVERNO
Com uma base governista tão ampla, os
temas que não são de interesse direto do governador dificilmente ganham tração.
Reivindicações de categorias de servidores, críticas à gestão da saúde ou
questões ambientais urgentes podem ser facilmente silenciadas ou “ENGAVETADAS”.
A consequência é uma desconexão: enquanto o governo celebra números
macroeconômicos e obras de fachada, as dores cotidianas das periferias e do
interior do estado ficam sem voz no parlamento.
O apoio massivo facilita a aprovação de
formas e ajustes fiscais que, nem sempre, são favoráveis ao cidadão comum. Sem
uma oposição robusta que consiga ao menos atrasar votações para permitir o
debate público, o governo tem, na prática, um “CHQUE EM BRANCO”. No Pará, isso
se reflete na facilidade com que o Executivo altera estruturas administrativas
e contrai dívidas, muitas vezes sob a justificativa da “MODERNIZAÇÃO”, mas sem
transparência absoluta sobre o retorno social desses investimentos.
IV – A HOMOGENEIZAÇÃO DO DEBATE:
A diversidade de ideias é o que garante
que uma lei atenda a diferentes grupos sociais. Quando a maioria dos deputados
vota em bloco com o governo, as minorias políticas, que representam setores específicos
da sociedade paraense, são atropeladas pelo “TRATOR” governista. O resultado é
uma política de pensamento único, onde questionar as ações do Estado passa a
ser visto como um ato de hostilidade, e não como um direito democrático.
CONCLUSÃO:
A governabilidade não deve ser
confundida com submissão. O apoio majoritário ao governador Helder Barbalho na
ALEPA pode agilizar obras e processos, mas o preço pago pela sociedade é alto:
a perda da transparência, o silenciamento das críticas e o risco de que os
interesses de grupos políticos se sobreponham às necessidades básicas de um estado
marcado por profundas desigualdades. O povo do Pará precisa, URGENTEMENTE, de
representantes que, antes de serem aliados do governador, sejam fieis aos seus
eleitores, fazendo valer o disposto no Art. 1º, Parágrafo único da Constituição
Federal Brasileira de 1988, que diz: “TODO O PODER EMANA DO POVO, QUE O
EXERCE POR MEIO DE REPRESENTES ELEITOS OU DIRETAMENTE, NOS TERMOS DESTA
CONSTITUIÇÃO”.
Em suma, o poder é do povo...

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